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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Conto de Primavera IV


Eram castanhos, mas não era qualquer castanho. Eram castanhos esverdeados, dando uma leve impressão de uma coloração amarela. Os olhos dele pareciam dois âmbares cintilantes, fiquei fascinada.

Poderia passar tempos- ou páginas- descrevendo o efeito que aquele olhar me causou, mas não o farei, usarei apenas algumas linhas. Sim, vou falar de um par de orbes, então se você não for um oftalmologista, ou, um sinestesista louco, não leia.

Não sei oftalmologia, mas, a sinestesia que eles me causavam era única. O Sol da primavera por entre as doces flores nas árvores incidia suavemente na íris castanha esverdeada, fazendo-o franzir o cenho, o que tornava seus olhos um pouco menores do que o normal, acentuando a impressão de que estes eram cor de âmbar.

Foi um encontro casual, ainda vestia preto, sua elegância era notável e impecável, ainda me encantava o seu sorriso. O tempo relativamente, meu inimigo, fez atenuar a dor e a saudade que sentia dele. Ele me retribuiu o mesmo olhar.

O olhar frio que me desarma, o olhar estático que acelera meu coração, apenas um olhar, e as maçãs do meu rosto corava-se. Quase nunca olhava para os lados, seus olhos eram fixos, captavam cada detalhe e previam cada movimento, seu corpo tentava me recusar, mas seus olhos procurava em meus gestos, a menção de um beijo. Os olhos dele expressavam desejo.

Abraçou-me e me beijou na testa, seu cheiro me invadiu, mas logo sairia; suas mãos me esquentaram, mas logo sentiria frio. Mas ele me olhou com aqueles olhos castanhos esverdeados, eu sorri e disse adeus. Disse contente, pois percebi naqueles olhos, as palavras que a boca nunca pode dizer, mas que meu coração sempre soube.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Conto de Primavera III


Um passeio urbano. Calça jeans, all star, um corpete, casaco de couro e o capacete. Sobre uma moto preta, uma garota acelerava e desviava dos carros. Sentia-se em um filme hollywoodiano.

Sinal vermelho. Freei suavemente ao lado de um ônibus, sorri sarcasticamente, finalmente estava livre daquela coletividade irritante. O relógio marcava dez e quinze, não poderia me atrasar, ele odiava esperar muito. Droga, onde eu estava com a cabeça quando o deixei ir para o salão? Logo hoje que terei um almoço importante sobre a minha matéria no jornal! Olhei novamente o relógio em seguida para o semáforo, que permanecia fechado. Maldito tempo relativo.

Há tempos, quando o avião pousava, e nele trazia aquele em que me aconchegaria nos seus braços, o tempo fazia questão de passar feitos os segundos, agora, parada na sinaleira, parece que o sinal verde demorará horas para aparecer. Já o tempo para o meu companheiro no salão, era inerte. O sinal abriu. Virei uma, duas, três esquinas e finalmente cheguei.

Parei na porta de um Pet Shop e encontrei lá, angustiado pela a minha demora, o meu cachorro. Sorri e peguei-o no colo, ele estava tão lindo que era quase surreal. Por fim, paguei pelos serviços prestados. Seria tão bom se ele se mantivesse tão limpo e fofo, colocando-o na bolsa de viagem, segui para o restaurante, pelo menos o meu entrevistado não se sentiria tão entediado quando visse a minha bola de pelos.

Gabriela Vaz.

domingo, 11 de setembro de 2011

Conto de Primavera II


“Eu prometo nunca te fazer sofrer.”

Ouvi isso em um parque vindo de um casal, enquanto tentava ler um bom livro do grande Machado de Assis. Foram inúteis os meus esforços, pois, cada vez mais, as juras do casal me injuriavam.

CHEGA!

Fechei o livro revoltada e levantei do banco. Odiava o amor. O odiava pelo simples fato das experiências vividas. Se eu soubesse que doeria tanto, não teria amado.

A mesma frase que o rapaz dizia ilusoriamente para a moça, um dia eu também escutei, e tolamente, acreditei. O amor é um jogo onde sempre tem um idiota. Se não houver, não tem amor. Andava olhando para as árvores com seus frutos e flores, troncos talhados com nomes e corações – como se isso fosse perpetuar algum relacionamento -.

Apesar do tempo que passou, ainda doía.

Tirei a chave do bolso – finalmente, comprei uma moto -, amarrei o cabelo e sentei na moto. Um vento fresco de fim de tarde ressecou meus lábios, olhei a rua e um carro preto passou. Jurei que era o dele, senti até o coração acelerar, cheguei a ligar a moto para ir atrás do carro, mas detive-me. O que iria adiantar? Ele não me queria, acho que nunca quis, e também, ele já deve dormir nos braços de outra. Às vezes ver o mundo de maneira tão lógica e metódica, não ajuda muito, na verdade, assusta. Mas no fim das contas, o carro não era o dele.

Doía, e eu me odiava por isso. Coloquei o capacete e olhei os vários outros casais, achava-os tolos, mas nunca lhes disse isso. Apesar de idiota, era saudável viver tal ilusão, afinal, o capitalismo se baseia nessa saúde. Dei a partida e acelerei, havia tomado conhecimento sobre um novo barzinho com sinuca e happy hour perto da praia. Uma hora da manhã, ligaria para alguém ir me levar em casa.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Conto de Primavera I


Prima. A Prima no Ballet é a bailarina principal. Certa vez, fui o cisne branco, eu dançava suavemente e bela ao som do violino que tocava “O Lago dos Cisnes”. Mas, isso não é história, apenas, uma vaga lembrança de uma Prima.

Do latim, “primo vera” significa antes do verão. A Primavera que sucede o inverno, levando para longe a frieza dos corações e, aflorando o amor nos jovens. Sim, era a estação, o equinócio, a qual todos atribuíam ao amor; tudo era mais bonito, as pessoas exalavam um perfume doce, as garotas suspiravam mais – como se na verdade tivessem asma -, enfim, todos estavam apaixonados. Eu achava isso patético.

Para mim, a primavera servia apenas para me lembrar de um professor de Biologia, eu de uma forma bem incomum, me ensinou sobre Botânica. Hoje eu lhe digo que não me serviu em nada. Desviei o olhar para um canto da rua, reparei que aos poucos a comunidade de briófitas reduzia pelo fato do ambiente úmido trazido pelo inverno, sumir por causa da atividade solar mais intensa. Como eu disse, as aulas de Botânica em nada me serviram.

Uma pequena flor caiu sobre os meus pés, tomei-a nas mãos. Era grande, tinha uma cor escarlate magnífica, e fiquei a pensar, “Que bela angiosperma”. Analisei-a, havia o androceu, gineceu, o pólen... Foi então que uma cena voltou a minha mente: um professor de Biologia rebolando no tablado, falando de um príncipe que pega a princesa, e então, outro príncipe chega. O sábio professor diz, “O que ele vai fazer? Fala comigo, fala, diz para mim, diz... Oh, o outro príncipe vai ficar com as empregadinhas”- enfatizando bastante a parte de ficar com as serviçais-. Chocante, eu sei, mas é assim –de um modo bem figurado- que é a reprodução de uma angiosperma. E saber disso me serviu alguma coisa? Bem, servir, servir, não serviu muito, mas, agora eu iria ter o que fazer na estação antes do verão. Enquanto a comunidade de enamorados se ploriferava, eu faria um estudo de Biologia.

Gabriel
a Vaz

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Frio

O frio me lembra o vazio que fica a minha casa quando você se vai. O frio me lembra, que esta noite- e outras também- não terei teus braços para me aquecer, e teu cheiro para embalar-me. O frio me faz sentir falta dos seus beijos. No frio, envolvo meu corpo com um capote e sorrio. Minha vida é mais feliz no frio.

O frio não permite que meus olhos se encham de lágrimas, e se o faz, logo as secam. O frio permite que eu sinta meu coração bater, espalhando todo o sangue por minhas veias, esquentando meu corpo por fim. O frio regojiza-me em uma xícara de café quente, explora todos os cantos da minha mente. Minha vida é mais feliz no frio.

No frio, quando lhe encontro, o que se passa são cenas do mais perfeito romance. No frio, debaixo de grossas cobertas, lhe chamo de meu amante. O frio me ensina a ser rigorosa, mas também bela e delicada. O frio concede-me as mais incríveis palavras. Minha vida é mais feliz no frio.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Conto das Estações


Depois do GRANDE Sucesso ( que confiança é essa? o.õ ) dos Contos de Inverno, agora volto com os Contos de Primavera.
Nas suas flores delicadas ao desabrocharem, a Primavera trás em si, o ar romântico de apaixonante de tardes mais quentes e cenários clichês. E em meio a tudo isso, temos a nossa personagem, que a tudo questiona e é um tanto do contra.
Poderia ser até um desvio de personalidade seguido por loucura, mas não seria tão anormal alguém detestar o verdadeiro clichê que era a Primavera.

Espero que gostem. E se gostarem, comentem, eu vivo dos seus comentários '-'


Gabriela Vaz

sábado, 23 de julho de 2011

Último Ato


Delicada e graciosa,

Suas penas brancas ruflam juntas.

Ultimamente tenho visto o Sol nasce,

Mas não é tão bonito assim.

O Cisne Negro tirou-o de mim.


Não valeu a pena morrer por amor.

O Cisne Negro, eu quem sou.


Do céu, vejo a água lhe envolver.

É o gelo da minha lágrima,

Que você degusta em sua boca morta.


Desfalecem as asas que não batem mais.

O corpo é suave em queda livre.

Triste fim do Lago dos Cisnes.



Gabriela Vaz

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Tudo Novo de Novo.


Cem lágrimas me deixaram sem lágrimas.

Tudo no universo se transforma, nada se perde.

A mente ainda nos engana, e o coração ainda sente tudo que a gente pressente, disfarça, mente.

O coração esconde da mente os nossos maiores sonhos.

A mente tira da gente nossas maiores paixões.


"O que os olhos não veem, o coração não sente."

Gabriela Vaz.

domingo, 3 de julho de 2011

Relatividade


Tempo.

Dizem que ele nos trás tudo

No momento certo,

E de fato, isso é verdade,

Pois agora te tenho mais perto.



Talvez nunca houvesse sentido

Meu coração bater assim.

Talvez porque,

Meu corpo nunca esteve tão perto de ti.



Tempo,

Já que finalmente o trouxe,

Por que faz questão de passar tão rápido?

Pare! Congele!



Deixe tocar-me mais

Aquelas mãos tão quentes.

Deixe me faltar o ar.

Permita a ele, me respirar.



Gabriela Vaz

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Prece


Os ventos que outrora

Faziam de meus cabelos uma venda para mim,

Hoje faz espalhar o teu perfume

Que se entranha em minha pele,

E me faz refém a tua espera.



Explique-me o princípio dessa Química

Que me vicia em ti.

Mostre-me o início dessa cama

E o limite dos lençóis.



A sós.

Quanto tempo esperei por este momento?

Em prece,

Agradeço ao vento.



Gabriela Vaz

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um gole de whisky e um cigarro


Alucinado,

Teve a visão duplicada e um

Desejo insaciável.

Tantas curvas se entornam,

E os mesmos lábios se beijam,

No frio vão do banheiro

Consumem-se três desejos.

É animalesco,

Seus olhos

E quatro seios.



Gabriela Vaz

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Estrelas no chão


Vocês já tiveram vontade de estar bem perto das estrelas? Sem vidros e mecanismos de um avião para separá-los delas, apenas estar cara a cara com uma infinidade de constelações. Eu tive essa oportunidade.

Imaginem um céu repleto de estrelas, que não param de emitir seu brilho incessantemente, e por essas estrelas, passam outras estrelas cadentes. Um verdadeiro show de luzes dessas enormes massas de hidrogênio. Agora se imaginem no topo da montanha mais alta contemplando isso.

Mesmo na montanha mais alta, você não estaria tão perto das estrelas, eu não estava na montanha mais alta, mas consegui vê-las de bem perto. Bem, não era uma montanha, mas era enorme e cheia de água, e foi dentro de uma piscina que tive o contato maravilhoso com o céu.

"Tresloucada!", no mínimo vocês pensariam isso de mim, porém digo-lhes caros amigos, que não é nenhuma alucinação, é verdade. Estava eu em meus rotineiros treinos de natação, quando uma onda de paz me invadiu, adorava me sentir assim quando conseguia manter em harmonia e concentração meus movimentos, minha respiração, e a ondulação da água. Essa onda de paz, me fez esquecer todas as coisas do mundo que me deixam triste, me fez esquecer desejos e futilidades, apenas me fez querer desfrutar daquele momento. Deixei um pequeno sorriso escapar- e engolir um pouco d'água-, quando notei que tudo que me faltava, a natação havia me completado, agora sentia paz e felicidade, eu havia encontrado o meu equilíbrio. E foi nesse estado de frenesi que as vi. Lá no fundo da piscina, havia estrelas, de todas as formas e tamanhos, e elas brilhavam, pareciam dançar uma música confusa, porém, perfeita. Essa era música da água, a música daqueles que respiram e vivem o movimento das águas e o bem que ela nos faz.

Após o treino ri de minha simplicidade. Enquanto os homens buscavam em outros lugares do espaço algo belo e impressionante, visitam outras terras e outros ares, eu me encantara com o simples reflexo da luz no fundo da piscina... Não, eu me encantara com a beleza desse esporte, e das estrelas que ele me mostrou fazendo-me amante de sua singularidade.




Gabriela Vaz

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Razões


Hoje a lua está meia.

Meia inteira, meia cheia,

Meia lua, meia-noite e meia.

Hoje a Lua sou eu.

Meio só, meio triste,

Sem Sol.

O que é à noite sem o dia?

O que é a realidade sem a fantasia?

O que o pé de Lima vaz fazer sem sua menina?

E eu lua meio na minha,

O que vou fazer sem meu sol que

Me trás o dia?

Certamente,

Não existiria.

Gabriela Vaz

quinta-feira, 31 de março de 2011

O que não vou esquecer


O meu amor tem nome e sobrenome,
O meu amor tem forma, gosto e cor,
O meu amor tem outros amores,
O meu amor me causa dor.


Entre todas elas,
Ele prefere a mim.

No jardim de plástico, fui a única que ele não arrancou.

Entre todas elas,

Eu sou a sua verdadeira flor.



G
abriela Vaz

domingo, 13 de março de 2011

O Ponto Final.



Eu vou escrever

Em um papelzinho amassado
Todo o meu sentimento guardado.
Você foi o culpado!
Por não ter me amado,
Vai me esnobar
E me jogar fora,
Como esse papelzinho amassado,
Que você lê agora.


Gabriela Vaz

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uma carta para um alguém


Amor.

Essa é uma palavra engraçada. Perigosa eu arriscaria dizer. Sim, pois quantas coisas nós fazemos quando amamos? Loucuras! Conseguimos domar o asco de tudo que nos repugnavam, afinal, pelo amor tudo vale, certo?

Tenho medo de me apaixonar. Que piada! Você deve pensar como um poeta tem medo de se apaixonar? E eu te respondo que é muito simples, na verdade é tão ridículo que não faz sentido. Poetas conhecem o amor, conhecem cada faceta desse sentimento, o poder que o seu pronunciar pode causar, conhecem cada tremedeira que sentimos, cada espasmo, o suar frio e o gaguejar; o amar e o amor, é um veneno irresistível. Bebemos esse veneno sem medo , como se fossemos imortais e invulneráveis, e então sua forma de serpente aparece. Ela nos envolve docemente e nos cega, nos torna incrédulos a qualquer coisa, o sofrimento nos acompanha durante todos os dias; afastamos muitas vezes quem amamos sem perceber, por que? Porque o único alimento de que se precisa, é o amor, e apenas ele basta. Depois, muitas vezes vem à separação, a decapitação bruta do que achávamos que era nossa outra metade, a deriva sem motivos, a desilusão, sim, era mais confortável sofrer do que perder. Esse é o momento em que nos fazemos várias perguntas, tentando encontrar o erro, pensamos que ele está em nós e, nos auto-flagelamos, depois descobrimos que o erro não está em nós, mas na outra pessoa, e surge aquela pequena sentença de suposição, “Se...”. E no dia seguinte, colocamos a culpa no amor, ah cupido burro! No fim, não descobrimos de quem é a culpa, ou se existiu culpa, esquecemos tudo. E no dia seguinte... Apaixonamos-nos novamente.

“Tolos!”, no mínimo, eu pensaria isto. Mas depois de experimentar esse veneno, e entendê-lo, descobri que isso é normal, cada um tem uma forma de tolice e loucura durante o efeito da droga lírica. Claro, afinal, um veneno não age da mesma forma em todas as pessoas. Mas a pergunta no fim das coisas é, por que amamos novamente? Necessidade? Ingenuidade? Burrice? Não, nada disso. Apenas é o efeito colateral do veneno, esquecimento seguido de vício. Ah, vai dizer que você nunca disse que jamais iria amar novamente, mas depois de certo tempo, já está com todos os pneus arreados por um certo alguém? O amor deveria vir com um selo, com letras garrafais dizendo, “PERIGO! ALTO RISCO DE VÍCIO SEGUIDO DE MORTE”.

Os poetas escolhem se falam bem ou mal do amor. No fundo, todos o odeiam. No fundo, amam morrer de amor todos os dias. E no fim, nos apaixonamos mesmo com medo. Mesmo passando por todos os sofrimentos e insanidades que esse sentimento trás, nós desejamos profundamente um gole de amor todos os dias, pois mais vale ter dias felizes e outros chorando, do que passar todos eles tristes por nunca ter amado.

O amor nada mais é que a reunião de todos os sentimentos do mundo.

Gabriela Vaz

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Hole for Wonderland


Foi estranho sonhar com ele. Era tão estranho e fascinante, assim como o fato dos anos terem trezentos e sessenta e cinco dias e seis horas, gerando assim os anos bissextos de quatro em quatro anos.

Ele é um amigo querido, seria normal sonhar apenas com um amigo exercendo o papel de amigo. Mas ele não exercia esse papel.

Sonhei que estava em um pátio, iria encontrar um grupo de amigos que junto comigo, compunham um grupo que fazia musicais. Estava ansiosa, lógico, a música era algo que fluía em mim, não, a arte em geral flui em mim, e iria reencontrar pessoas queridas que compartilhavam um sentimento único e puro, reproduzíamos esse amor em uníssono.

Mas então aconteceu, ele vinha caminhando calmamente com a caixa de som na mão, como sempre fazia e, como sempre, eu corri para abraçá-lo. Sim era normal, eu, uma pessoa de seus um metro e sessenta centímetros correndo e gritando por um corredor para abraçar o musicista. Ele colocou a caixa no chão e abriu os braços ao mesmo tempo em que se preparava para receber o baque do meu pulo com abraço quase mortífero, e ele me abraçou, beijei-o na nuca e ele riu, até ai, tudo era como sempre foi. Ficamos nesse abraço por mais um tempo, eu dizia o quanto senti saudades dele, o quanto estava feliz em poder ver o sorriso dele novamente e sentir seu cheiro e seu abraço. Foi ai que o sonho tomou um rumo diferente da realidade, pois ele passou a me olhar com um meio sorriso no rosto, suas mãos me apertavam mais, seus lábios moviam-se lentamente sussurrando algo, ele me chamava para que eu parasse de falar, por fim, olhei-o curiosa.

- Senti também sua falta, e mais do que eu imaginava.

O mais difícil no sonho foi lembrar-se do seu rosto, céus, fazia tanto tempo que não o via que nem lembrava da sua face. Mas a voz dele era tão viva em mim quanto à sensação das suas mãos me apertando. Naquele curto espaço de tempo, deixei-me falar em um tom quase inaudível o nome dele, meus olhos involuntariamente se fecharam, esperei até sentir os lábios dele encostando-se aos meus. Não lembro mais detalhes do sonho, mas sei que a toda hora via a cena do beijo se repetir inúmeras vezes em locais diferentes, desde um jardim até o alto de um prédio em um elevador de vidro. E, aquele beijo se tornava tão real a medida que o sonhava, que pensei estar apaixonada. Sonhos são loucos, insanos e perversos. Senti de repente um calor insuportável, agora ele me olhava com outros olhos e, um sorriso enorme e macabro havia surgido em sua face, tudo ficava escuro, eu só podia ver seus olhos enormes e seu sorriso assustador. O elevador havia se tornado um buraco, mas não havia nenhum coelho para eu seguir, o que importava isso? Agora eu caia nesse escuro buraco.

“Sorrir como um gato de Cheshire...”

Nunca mais estudo sobre aquele gato miserável e a história da menina loira em um mundo macabramente maravilhoso e insano. Fechei os olhos e aproveitei o resto da queda, e enfim, acordei. Levantei e olhei para os lados, o que havia se passado? Fiquei tentando lembrar quem era aquele homem que sonhei, o qual me lembrava de como eram seus beijos, e o seu cheiro ainda me impregnava o nariz.

Demorou, mas quando me lembrei fiquei paralisada, mal podia acreditar. Mais uma vez eu sonhei com ele, meu amigo. Um alguém que eu nunca teria, um alguém que aparecia e sumia, como o Gato Cheshire.


GabrielaVaz

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Poesia em vídeos

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Espero muito a vibração pela parte dos fãs de Vinicius Zumaeta :D

Mas...parece que tá dando certo!

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Simples como qualquer palavra

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Essa música é para todos os poetas e os apaixonados pelas letras que compõem a nossa vida :)

O Teatro Mágico - Palavra

A Bica


Uma pedra caída,
No meio do rio esquecida.
Mas o que fizera a pedra granita,
Para que de forma tão triste, seja tão fria?

Os olhos da menina perdida,
Faziam jus ao serem atraídos pela pedra vazia.
Como podia?
A menina travessa, apaixonada pela pedra que nada sentia.

Nunca vi coisa igual,
A menina, a pedra e um ritual,
Como se os Deuses, abençoassem o casal.

A menina caída,
A pedra perdida,
A vida vazia.

Gabriela Vaz

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Olhe!


Você não faz idéia,
De como esse tempo me machuca.
Você nem percebe,
O quanto eu sofro
Em ver-te longe,
Meus olhos! Minhas esmeraldas!
A falta do encaixe do meu corpo
Em teus braços, corrói-me,
Sofro, quero-te...
Volta, me faz feliz,
Esqueces-te,
Amo-te!
Não, minhas palavras
A ti nada valem,
Te quero tão bem.
A outro, meus olhos
Não contemplam,
Em cores, apenas a ti vejo
Meu amor dos olhos verdes,
Meus verdes olhos.
Esqueces-te de tudo.
Te amo.

Gabriela Vaz

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Sussurros de uma noite


Se eu pudesse, viveria ontem novamente. Mas se eu conseguisse essa proeza, além de viver, não permitiria que aquele dia terminasse. Se pudesse, eu o faria escutar tudo que tenho a dizer, sem que você me interrompesse com sua conversa de romantismo ultrapassado. Fico feliz por ter todo esse romance em meu peito, em respirar o ar da manhã e imaginar amores nas cores do alvorecer.

Descobri que o problema não está em ouvir, é você entender e aceitar. Mesmo que sua frieza seja meu motivo de inspiração, gostaria de escrever também sobre bons momentos, como ontem. Reviveria cada segundo, cada respiração, cada olhar, porque desfrutar tudo isso me faz viver bem, e, felicidade era que todos deviam ter, e você também.

Como um sonho, depois de ser sonhado, mudará a vida de quem o sonhou? A minha, mudou completamente. Em um momento, eu era apenas uma pessoa sem objetivos, agora, depois de sentir sua pele encostar na minha, sua respiração forte em meu pescoço, seus músculos contraírem, e seus lábios beijando-me em um espaço de tempo relativamente curto porém eterno em minha memória, tornei-me uma poetiza, não, muito mais que isso, tornei-me um ser que ama, e que não reprime esse sentimento.

À noite, quando seus braços me envolveram, senti como seria meus dias ao seu lado, amantes e cúmplices de um desejo puro e envolvente. Desculpe-me por sonhar com você. Ah meu doce violinista, meus versos revelam a você e ao mundo o meu amor, um amor que me levaria a cometer pecados, ir contra Deus, ir contra a lógica e a razão, mas, meu ser poeta e amante já tão seu, faz-me renegar a lógica humana, alimentando-me com a sua música silenciosa.

Se eu pudesse, não viveria apenas ontem, mas faria com que as pequenas coisas que o tornaram especial, pudesse se repetir durante toda a nossa futura história, até que percebesse que vivemos todo esse tempo como errantes, apenas para descobrirmos um ao outro como enamorados.


Gabriela Vaz

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Modernidade


E viva aos idiotas do mundo!
Inicialmente pensei em você,
Caro cavaleiro imundo.

Mas venho falar
São dos novos idiotas apaixonados.
Quem diria,
Virei uma boba
Porque resolvi amar.

Mas o esperto é você,
Que nem de perto
Se engana por uma paixão.
Você, meu estúpido violinista,
É o que tem razão.

Sacana, e entre outros carinhos
Eu te chamo.
Como te odeio,
Enquanto choro e me despenteio,
Maldito cavaleiro,
Devaneia em outros olhos
E navega em outros seios.

Tola, ainda serei,
Pois tenho dado amor
Sem medidas a ti.
Vagabundo, nem isso reconheceu.
Se quer, meus poemas você leu.

Idiota, sigo,
Enquanto mais raiva de ti sinto,
Enquanto mais apaixonada fico.
Amar-te, é uma raiva indefinível.

Gabriela Vaz

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Ouvidos


Escutai,
Tudo aquilo que nunca ouviu,
Pássaros, a brisa, o mar.

Escutai,
Tudo aquilo que nunca viu,
Pois os olhos escutam
Quando os ouvidos falham.

Escutai,
Mesmo quando não houver som,
O silêncio é música,
E sente-se a alma.

E quando tudo acabar,
Não existindo mais
Razão para viver,
Escutai.

As soluções da vida
São discretas e educadas,
Por isso falam baixo,
Então cale a boca e os olhos,
E as escutai.

Gabriela Vaz

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Only it.


Eu te amo, como amei no primeiro dia e como amarei no último.
Eu te quero, pois não há razão de querer outro se, a luz do meus olhos é você.
Eu te falo a verdade, pois não há motivos para escondê-la.
Mas também não há motivos de querer acreditar que a minha verdade é uma mentira.
Mentira, dava-me por definição, a nossa separação,
E apenas isso.

Gabriela Vaz

Perdão sem por quê

Sabe o que é mais difícil?

É que eu sei tudo que você está passando,

E sei de todas as lágrimas que está derramando.

Mas não consigo entender

Por que está nos fazendo sofrer.

Ah meu Sol,

Nós fomos feitos para ficar juntos,

Conhecemo-nos muito bem,

Então pra que essa reviravolta

Em nossa vida?

Já não lhe significa algo

Tudo que vivemos e superamos?

Não é preciso dizer que chorei e choro,

E que tudo que eu quero é deitar em teu colo,

Fazer-me menina e tu me ninar,

Debaixo de uma lâmpada fria

Em uma noite de intenso luar.

Sei também meu Sol

Que perdeu a noite como eu,

Que não viu mais tanto sentido nos dias,

E que perguntou a Deus

Por que essa dor.

Como fizeste humano fraco, eu, Senhor?

Se um dia puder me ouvir,

Leia os versos que te dedico

E que sempre dediquei,

Veja que não foi por futilidade

- ou qualquer razão tola-

Que eu te amei.

Espero que volte pro braços

Que tanto te acolheu,

Quero que se envolva nos meus abraços

E nos meus laços.

E veja que mulher tua,

Sou eu.

Gabriela Vaz

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Truque


Eu não sei o que fez

Drummond escrever,

Não sei qual foi o astro

Pelo qual Castro Alves poetizou.


Mas eu sei que o vento sul,

Trás lembranças do homem que me desejou.

A areia que esfolia meus pés

Me faz sentir o gosto das línguas na boca do céu.


Escrevo o seu nome no ar

Difuso, que confuso

É o cheiro do salitre que invade o teu corpo oceano.


É fácil criar rimas e

Dedicar a um amor.

Mas não é fácil, saber que tudo isso foi o que você sonhou.

Gabriela Vaz