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quinta-feira, 31 de março de 2011

O que não vou esquecer


O meu amor tem nome e sobrenome,
O meu amor tem forma, gosto e cor,
O meu amor tem outros amores,
O meu amor me causa dor.


Entre todas elas,
Ele prefere a mim.

No jardim de plástico, fui a única que ele não arrancou.

Entre todas elas,

Eu sou a sua verdadeira flor.



G
abriela Vaz

domingo, 13 de março de 2011

O Ponto Final.



Eu vou escrever

Em um papelzinho amassado
Todo o meu sentimento guardado.
Você foi o culpado!
Por não ter me amado,
Vai me esnobar
E me jogar fora,
Como esse papelzinho amassado,
Que você lê agora.


Gabriela Vaz

quarta-feira, 9 de março de 2011

Uma carta para um alguém


Amor.

Essa é uma palavra engraçada. Perigosa eu arriscaria dizer. Sim, pois quantas coisas nós fazemos quando amamos? Loucuras! Conseguimos domar o asco de tudo que nos repugnavam, afinal, pelo amor tudo vale, certo?

Tenho medo de me apaixonar. Que piada! Você deve pensar como um poeta tem medo de se apaixonar? E eu te respondo que é muito simples, na verdade é tão ridículo que não faz sentido. Poetas conhecem o amor, conhecem cada faceta desse sentimento, o poder que o seu pronunciar pode causar, conhecem cada tremedeira que sentimos, cada espasmo, o suar frio e o gaguejar; o amar e o amor, é um veneno irresistível. Bebemos esse veneno sem medo , como se fossemos imortais e invulneráveis, e então sua forma de serpente aparece. Ela nos envolve docemente e nos cega, nos torna incrédulos a qualquer coisa, o sofrimento nos acompanha durante todos os dias; afastamos muitas vezes quem amamos sem perceber, por que? Porque o único alimento de que se precisa, é o amor, e apenas ele basta. Depois, muitas vezes vem à separação, a decapitação bruta do que achávamos que era nossa outra metade, a deriva sem motivos, a desilusão, sim, era mais confortável sofrer do que perder. Esse é o momento em que nos fazemos várias perguntas, tentando encontrar o erro, pensamos que ele está em nós e, nos auto-flagelamos, depois descobrimos que o erro não está em nós, mas na outra pessoa, e surge aquela pequena sentença de suposição, “Se...”. E no dia seguinte, colocamos a culpa no amor, ah cupido burro! No fim, não descobrimos de quem é a culpa, ou se existiu culpa, esquecemos tudo. E no dia seguinte... Apaixonamos-nos novamente.

“Tolos!”, no mínimo, eu pensaria isto. Mas depois de experimentar esse veneno, e entendê-lo, descobri que isso é normal, cada um tem uma forma de tolice e loucura durante o efeito da droga lírica. Claro, afinal, um veneno não age da mesma forma em todas as pessoas. Mas a pergunta no fim das coisas é, por que amamos novamente? Necessidade? Ingenuidade? Burrice? Não, nada disso. Apenas é o efeito colateral do veneno, esquecimento seguido de vício. Ah, vai dizer que você nunca disse que jamais iria amar novamente, mas depois de certo tempo, já está com todos os pneus arreados por um certo alguém? O amor deveria vir com um selo, com letras garrafais dizendo, “PERIGO! ALTO RISCO DE VÍCIO SEGUIDO DE MORTE”.

Os poetas escolhem se falam bem ou mal do amor. No fundo, todos o odeiam. No fundo, amam morrer de amor todos os dias. E no fim, nos apaixonamos mesmo com medo. Mesmo passando por todos os sofrimentos e insanidades que esse sentimento trás, nós desejamos profundamente um gole de amor todos os dias, pois mais vale ter dias felizes e outros chorando, do que passar todos eles tristes por nunca ter amado.

O amor nada mais é que a reunião de todos os sentimentos do mundo.

Gabriela Vaz